O Governo lançou uma nova medida de apoio à inovação científica e tecnológica através da atribuição de Vouchers de Inovação, com uma dotação total de 15 milhões de euros.
A iniciativa integra-se no Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade, criado em junho de 2025 para aplicar verbas não executadas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), e será gerida pelo Banco Português de Fomento.
A nova linha, designada “Deep Tech”, é uma das quatro previstas neste instrumento financeiro, e tem como objetivo impulsionar a investigação aplicada e a engenharia avançada com impacto na economia.
Uma linha de apoio dedicada à inovação científica
Os Vouchers de Inovação inserem-se na linha “Deep Tech”, criada para financiar projetos científicos e tecnológicos de elevado potencial económico, não estando limitada a um tipo específico de tecnologia.
O foco está na valorização de descobertas científicas, na engenharia avançada e na transformação de conhecimento em produtos e serviços com valor comercial.
Com um orçamento de 15 milhões de euros, serão atribuídos 20 vouchers de 750 mil euros cada, destinados a apoiar startups, empresas inovadoras e instituições de interface tecnológica que desenvolvam soluções baseadas em conhecimento e investigação.
O que são os Vouchers de Inovação
Os Vouchers de Inovação consistem em apoios financeiros dirigidos a projetos empresariais e científicos com potencial de aplicação económica e caracter inovador, numa fase em que ainda necessitam de investimento para validação, prototipagem, ensaio ou certificação.
Cada voucher, com valor até 750 mil euros, visa reduzir o risco associado ao desenvolvimento de novas tecnologias, permitindo que resultados de investigação sejam transformados em soluções de mercado.
Esta medida complementa outras iniciativas do PRR e do Portugal 2030, reforçando o financiamento à inovação científica e tecnológica em áreas estratégicas para a competitividade nacional.
Objetivos estratégicos dos Vouchers de Inovação
A nova linha de Vouchers de Inovação tem como missão acelerar a passagem da investigação científica ao mercado, promovendo o crescimento de uma economia baseada no conhecimento.
Entre os seus objetivos estratégicos, destacam-se:
- Valorizar os resultados da investigação científica e tecnológica, potenciando a sua transferência para o setor produtivo;
- Fomentar o empreendedorismo de base científica, através da criação e crescimento de startups tecnológicas;
- Apoiar a engenharia avançada e o desenvolvimento de novas soluções em setores críticos;
- Reforçar a autonomia tecnológica e industrial nacional, estimulando a competitividade e a internacionalização;
- Atrair investimento privado em inovação, complementando os incentivos públicos.
Beneficiários e elegibilidade
Os Vouchers de Inovação destinam-se a empresas tecnológicas, startups e entidades de interface que atuem na valorização de conhecimento científico.
Podem candidatar-se projetos que:
- Demonstrem potencial de aplicação industrial ou comercial de descobertas científicas;
- Apresentem um plano de desenvolvimento tecnológico validado e uma estratégia clara de mercado;
- Revelem capacidade técnica e financeira para execução;
- Estejam alinhados com os princípios de sustentabilidade, transição digital e neutralidade carbónica.
A colaboração entre empresas e centros de investigação é fortemente incentivada, permitindo que os vouchers sirvam de ponte entre o sistema científico e o tecido produtivo.
Dotação e gestão financeira
A linha “Deep Tech”, que inclui os Vouchers de Inovação, tem uma dotação de 15 milhões de euros, proveniente de fundos remanescentes do PRR.
Será gerida pelo Banco Português de Fomento, que ficará responsável pela análise, atribuição e acompanhamento das candidaturas.
Os 20 vouchers a conceder terão o valor máximo de 750 mil euros por projeto, podendo financiar atividades de desenvolvimento experimental, engenharia de produto, certificação e validação de protótipos.
Este modelo de apoio combina subvenções e garantias públicas, facilitando o acesso a capital e reduzindo o risco de investimento em fases iniciais de inovação.
Critérios de seleção
A avaliação das candidaturas aos Vouchers de Inovação baseia-se em critérios técnicos e estratégicos, incluindo:
- Grau de inovação e originalidade científica;
- Potencial de aplicação industrial e impacto económico;
- Contributo para a transição verde e digital;
- Capacidade de execução técnica e financeira;
- Relevância para a competitividade e autonomia tecnológica nacional.
Projetos com impacto direto em áreas como energia limpa, saúde, engenharia avançada, sustentabilidade ambiental e digitalização industrial poderão ser valorizados.
O enquadramento no Instrumento Financeiro de Inovação e Competitividade
A criação dos Vouchers de Inovação insere-se num plano mais amplo de políticas públicas para estimular a inovação e o investimento tecnológico.
O Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade foi criado em 2025 com uma dotação inicial de 300 milhões de euros, distribuída por quatro grandes áreas:
- Reindustrialização – 150 milhões de euros;
- Inteligência Artificial nas PME – 100 milhões de euros;
- Economia de Defesa e Segurança – 50 milhões de euros;
- Linha “Deep Tech” – 15 milhões de euros, onde se enquadram os Vouchers de Inovação.
O objetivo global é garantir a execução total do PRR, canalizando recursos não utilizados para projetos empresariais com impacto direto na economia.
Impacto esperado na inovação científica e tecnológica
Com os Vouchers de Inovação, o Governo pretende aproximar a ciência e a economia, criando um ciclo virtuoso de investimento em conhecimento e inovação.
Os resultados esperados incluem:
- Maior investimento privado em I&D;
- Criação de novas empresas de base científica;
- Fortalecimento dos ecossistemas de inovação e startups;
- Aumento da cooperação entre centros de investigação e indústria;
- Geração de emprego qualificado e valorização do talento nacional.
A medida posiciona Portugal como um país que investe na inovação orientada a resultados, reforçando a ligação entre universidades, centros tecnológicos e empresas.
Um incentivo à engenharia e ao conhecimento aplicado
Os Vouchers de Inovação representam uma mudança de paradigma no apoio público à ciência aplicada: em vez de financiar apenas investigação fundamental, o Estado passa a apostar em projetos com orientação económica e industrial, promovendo a aplicação prática do conhecimento.
Trata-se de um modelo de financiamento mais próximo do capital de risco tecnológico, mas sustentado por fundos públicos que mitigam o risco de inovação disruptiva.
Ao apoiar fases críticas do desenvolvimento — da prova de conceito ao protótipo industrial —, esta medida permite transformar investigação de excelência em soluções concretas para o mercado.
SkillTech e o acompanhamento de políticas de inovação
A SkillTech acompanha a evolução das políticas públicas de apoio à inovação, à digitalização e à competitividade das empresas, promovendo a divulgação de informação técnica rigorosa sobre oportunidades relevantes no contexto nacional e europeu.
Com experiência em consultoria tecnológica e estratégica, a SkillTech contribui para reforçar a literacia e o planeamento em matéria de financiamento à inovação, apoiando organizações na transição digital e na adoção de novas tecnologias.
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