IA Camp 2026: Inteligência Artificial na Administração Pública

Out 15, 2026

Partilhar

Encontro reuniu decisores públicos, especialistas e empresas tecnológicas em Carregal do Sal, nos dias 13 e 14 de outubro, para debater desafios, oportunidades e boas práticas na adoção da Inteligência Artificial.

A Skilltech foi uma das entidades organizadoras do IA Camp 2026 – Inteligência Artificial na Administração Pública: Desafios e Oportunidades, que decorreu nos dias 13 e 14 de outubro, no Centro Cultural de Carregal do Sal. Promovido pela Câmara Municipal de Carregal do Sal, em parceria com o Observatório das Autarquias Locais e a Skilltech, o encontro reuniu representantes da Administração Pública, especialistas e empresas tecnológicas para refletir sobre o impacto da Inteligência Artificial (IA) nos serviços públicos.

Ao longo de dois dias, o programa incluiu intervenções institucionais, mesas-redondas, um caso de estudo e uma masterclass, proporcionando um espaço de partilha de experiências e conhecimento sobre a utilização da IA nas organizações públicas. A iniciativa procurou aproximar a discussão das necessidades concretas dos municípios, abordando não só as oportunidades de modernização e automatização de processos, mas também os desafios relacionados com a regulamentação, a segurança e a responsabilidade.

Governo anuncia formação em Inteligência Artificial para a Administração Pública

O primeiro dia arrancou com a intervenção do Secretário de Estado para a Simplificação, Paulo Magro da Luz, que apresentou algumas das prioridades do Governo para a modernização administrativa. Entre os temas abordados, destacou a revisão do Código dos Contratos Públicos, em vigor desde 1 de outubro, e anunciou um programa de formação em Inteligência Artificial destinado à Administração Pública, com arranque previsto para dezembro, no âmbito da Agenda Nacional de IA.

A sessão contou também com a apresentação de iniciativas já desenvolvidas pelo Município de Carregal do Sal. A Vice-Presidente da Câmara Municipal, Maria Izabel Ferreira Antunes d’Azevedo da Silva, deu a conhecer a DINA, uma operadora digital disponível 24 horas por dia, capaz de resolver autonomamente cerca de metade das questões que recebe.

A discussão permitiu ainda refletir sobre a importância da supervisão humana, da identificação de tarefas com potencial de automatização e da implementação gradual de soluções tecnológicas. Entre os participantes estiveram Bartolomeu Noronha, do Observatório das Autarquias Locais, e Gonçalo Consiglieri, da Visor AI, que destacaram a necessidade de os municípios avançarem com iniciativas práticas, ajustadas às suas necessidades.

A componente prática esteve também presente na demonstração da Safeminds, que apresentou uma assistente de IA aplicada à contratação pública e à gestão de contratos. A solução permite consultar legislação e informação do Portal BASE, identificar fontes e sugerir textos de fundamentação, mantendo a validação humana como parte essencial do processo.

Preparar as organizações para a utilização da IA

No segundo dia, a masterclass «Fluxos de Trabalho – Como Preparar Organizações para a IA», conduzida por Rita, da Visor AI, centrou-se na identificação de oportunidades de automatização e na integração destas ferramentas nos processos de trabalho.

Através de exemplos e exercícios práticos, a sessão demonstrou como a utilização da IA pode evoluir da experimentação pontual para a criação de fluxos de trabalho mais eficientes, capazes de apoiar as equipas na execução de tarefas recorrentes.

A iniciativa reforçou, assim, a importância de preparar as organizações para uma adoção estruturada da Inteligência Artificial, considerando não apenas as ferramentas disponíveis, mas também os processos internos, as competências das equipas e as necessidades de cada serviço.

Skilltech participa no debate sobre o Regulamento Europeu da Inteligência Artificial

Um dos momentos centrais do IA Camp 2026 foi a mesa-redonda dedicada ao Regulamento Europeu da Inteligência Artificial, que contou com a participação de João Andrade, em representação da Skilltech, juntamente com Susana Rios de Oliveira, da UinLegal Partners, José Silva Lopes e Paulo Vieira, da Netskope.

O debate incidiu sobre os desafios que o novo enquadramento regulamentar coloca às entidades públicas, nomeadamente ao nível da identificação dos sistemas de IA utilizados, da classificação dos riscos, da proteção da informação e da definição de responsabilidades.

Na sua intervenção, João Andrade destacou a preocupação e o desconhecimento que ainda existem entre dirigentes e responsáveis tecnológicos relativamente às medidas a adotar. Defendeu, por isso, que as organizações não devem esperar pela aplicação de todos os prazos legais para começar a preparar-se.

«Quem quer fazer o caminho, primeiro tem de saber onde é que está», sublinhou, salientando a importância de identificar os sistemas de IA existentes em cada organização, perceber quem os utiliza e que informação tratam, e solicitar aos fornecedores esclarecimentos sobre o armazenamento dos dados, a sua classificação e os registos associados.

O representante da Skilltech alertou ainda para a responsabilidade das entidades públicas perante os cidadãos, mesmo quando recorrem a soluções desenvolvidas por fornecedores externos. No caso de software criado à medida ou utilizado em nome de uma Câmara Municipal ou Junta de Freguesia, importa avaliar as obrigações aplicáveis e testar as soluções para verificar a sua conformidade com o regulamento.

A mesa-redonda contou igualmente com a análise jurídica de Susana Rios de Oliveira sobre as responsabilidades dos municípios, fornecedores e trabalhadores, com os alertas de José Silva Lopes relativamente à necessidade de uma supervisão humana efetiva e com a perspetiva de Paulo Vieira sobre os desafios da cibersegurança.

Da discussão resultou uma orientação prática para as organizações: inventariar, classificar, regular, formar e registar. Cinco ações que permitem iniciar um percurso de preparação para uma utilização mais segura, responsável e consciente da Inteligência Artificial.

Três prioridades para os municípios: preparar, capacitar e financiar

A participação na organização do IA Camp e nos debates permitiu à Skilltech reforçar três áreas prioritárias para apoiar as entidades públicas na transformação digital.

Preparar, através do levantamento dos sistemas de IA em utilização, da classificação da informação, da definição de regras internas e da clarificação das responsabilidades dos fornecedores.

Capacitar, promovendo a literacia digital e a formação das equipas para que os profissionais da Administração Pública possam utilizar estas ferramentas com confiança, compreendendo as suas potencialidades, limitações e implicações.

Planear e financiar, estruturando projetos de modernização administrativa que respondam às necessidades dos serviços públicos e possam beneficiar de oportunidades de financiamento europeu.

Neste último domínio, a experiência da Skilltech em consultoria, sistemas de informação e apoio a candidaturas a fundos europeus constitui uma mais-valia para as entidades que pretendam transformar oportunidades de inovação em projetos concretos, sustentáveis e alinhados com os requisitos aplicáveis.

Um encontro de partilha, inovação e colaboração

O IA Camp 2026 integrou ainda momentos de convívio e valorização do território, com uma prova de vinhos do Dão que reuniu sete produtores da região, três dos quais sediados em Carregal do Sal, e um jantar dedicado aos pratos e produtos regionais.

O encerramento ficou a cargo de Bartolomeu Noronha, do Observatório das Autarquias Locais, que agradeceu aos participantes, oradores e entidades envolvidas, destacando a importância de promover momentos de partilha presencial num contexto cada vez mais digital.

A Skilltech agradece à Câmara Municipal de Carregal do Sal e ao Observatório das Autarquias Locais a parceria na organização desta primeira edição, bem como a todos os oradores, participantes e entidades que contribuíram para o sucesso da iniciativa.

O IA Camp 2026 reforçou a importância de colocar a Inteligência Artificial ao serviço das pessoas, através de uma adoção informada, responsável e orientada para as necessidades reais da Administração Pública.

Mais notícias

No results found.